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Artigo

Estratégia eficaz para apoiar o cancro da mama no local de trabalho

Por Joana Vieira de Castro | 22 setembro 2025

Saiba como criar uma estratégia eficaz para apoiar o cancro da mama no trabalho, promovendo prevenção, bem-estar, retenção de talento e sustentabilidade organizacional.

O cancro da mama afeta milhões de pessoas em toda a Europa, e o aumento da incidência e dos custos de tratamento representam desafios significativos para as organizações.

Integrar o apoio ao cancro numa estratégia sólida de benefícios para colaboradores, recorrendo a dados e tecnologia de saúde para fundamentar decisões, ajuda as organizações a proteger eficazmente os seus colaboradores e a garantir a sustentabilidade financeira.

Cancro da mama e a sua importância no local de trabalho

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres na Europa. O Sistema Europeu de Informação sobre Cancro (ECIS) estima que 1 em cada 11 mulheres será diagnosticada ao longo da vida [1] . Embora menos frequente, o cancro da mama em homens também está a aumentar, representando cerca de 1% de todos os casos.

A Associação da Liga Europeia Contra o Cancro (ECL) refere que, todos os anos, cerca de metade das pessoas diagnosticadas com cancro na Europa está em idade ativa. Destas, 62% regressam ao trabalho no primeiro ano após o diagnóstico e 89% até dois anos depois.

Os Perfis Nacionais de Cancro 2025 revelam que a deteção precoce e o acesso aos cuidados variam bastante, influenciando as taxas de sobrevivência e a produtividade no trabalho [2].

Para as empresas, as implicações são claras:

  • Custos crescentes: De acordo com o Global Medical Trends Survey da WTW [3], o cancro é atualmente a principal causa do aumento dos custos com cuidados de saúde a nível global.
  • Impacto no ambiente trabalho: Com o aumento das taxas de sobrevivência, cada vez mais colaboradores continuam a trabalhar durante ou após o tratamento, ou prestam apoio a familiares que enfrentam a doença. 
  • Riscos de retenção: Sem apoio adequado, as empresas arriscam perder profissionais experientes e enfrentar custos elevados de substituição. 

Prevenção: A primeira linha de defesa

A prevenção não é apenas uma questão de saúde, mas também um investimento estratégico para as empresas, integrando-se num programa otimizado de benefícios. Fatores relacionados com o estilo de vida, como o tabagismo, a obesidade e o consumo de álcool, estão entre as principais causas preveníeis de cancro. A OMS estima que entre 30% e 50% dos casos poderiam ser evitados [4].

Tabaco

O fumo do tabaco contém mais de 7.000 substâncias químicas, das quais 250 são nocivas e 69 cancerígenas. É a principal causa previsível de morte por cancro.

Álcool*

O álcool é uma substância tóxica, psicoativa e classificada como carcinogénico do Grupo 1, estando associado a sete tipos de cancro. A nível global, é responsável por um em cada vinte casos de cancro da mama.

Sedentarismo, dieta e obesidade

O excesso de peso e a obesidade estão ligados a vários tipos de cancro, incluindo esófago, cólon, mama, endométrio e rim. Em 2012, o excesso de massa corporal representou 3,4% dos casos de cancro, incluindo cerca de 110.000 casos anuais de cancro da mama.

* Conforme classificação da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro.

As diferenças socioeconómicas e étnicas podem influenciar as taxas de rastreio, a prevalência da doença e os resultados do tratamento, criando um desafio adicional para as empresas na implementação de estratégias eficazes de apoio aos colaboradores.

As empresas podem desempenhar um papel fundamental ao:

  • Promover comportamentos saudáveis, recorrendo a ferramentas como plataformas de bem-estar.
  • Educar os colaboradores sobre fatores de risco, programas públicos de rastreio e a importância do autoexame.
  • Disponibilizar ferramentas digitais de saúde e programas de rastreio no âmbito dos benefícios para colaboradores, complementando os serviços de saúde públicos.

Para aumentar a eficácia dos programas, as empresas podem adaptar a comunicação e o apoio a diferentes grupos, utilizando dados de saúde internos para identificar populações de maior risco e personalizar as intervenções. [5]

O papel da análise de dados

Apenas 19% das empresas na Europa consideram estar a utilizar dados de forma eficaz para medir custos e definir estratégias [6]. No entanto, os dados são essenciais para compreender os riscos de saúde entre os colaboradores e desenvolver apoios direcionados e eficazes para mitigar esses riscos e controlar os custos.

As empresas podem usar estes insights para otimizar benefícios, reduzir custos e melhorar os resultados de saúde dos colaboradores.

IA, aprendizagem automática e robótica nos cuidados oncológicos

A inteligência artificial (IA) está a transformar os cuidados oncológicos – desde a deteção precoce ao tratamento personalizado. Algoritmos de aprendizagem automática analisam imagens para identificar tumores mais cedo e com maior precisão, enquanto a robótica aumenta a exatidão cirúrgica e contribui para tempos de recuperação mais curtos.

Cada vez mais, apps com análise de imagem baseada em IA ajudam a detetar lesões cutâneas suspeitas, sinalizando possíveis sinais precoces de melanoma para avaliação médica, reduzindo a pressão sobre serviços presenciais já sobrecarregados. Dispositivos portáteis ligados a smartphones, como ecógrafos manuais, permitem rastreios rápidos em zonas remotas ou com poucos recursos. Estas tecnologias tornam possível detetar o cancro mais cedo, melhorar o acesso a especialistas e promover uma monitorização proativa da saúde.

Estas inovações melhoram resultados e, em muitos casos, ajudam a reduzir custos através do diagnóstico precoce. No entanto, novos medicamentos e tratamentos podem ser dispendiosos, aumentando os custos dos benefícios. As empresas devem manter-se informadas e considerar como estas tecnologias impactam a sua estratégia de benefícios, equilibrando custos e expectativas dos colaboradores.

Impacto financeiro: Custos e incidência crescentes

Os custos dos tratamentos oncológicos estão a aumentar devido à inflação médica e aos avanços tecnológicos. A OMS estima que o impacto do cancro na UE ascende a 97 mil milhões de euros por ano. [7] O cancro da mama representa uma parte significativa desse valor, agravado pelo aumento da incidência e da sobrevivência.

As empresas enfrentam:

  • Prémios de seguro mais elevados.
  • Aumento de absentismo.
  • Maior procura por trabalho flexível e serviços de apoio.

Os dados do Global Medical Trends da WTW mostram que o cancro é consistentemente um dos principais fatores de custo, com hábitos pouco saudáveis e falta de prevenção a contribuir para o aumento da sinistralidade.  [4]

Apoio inclusivo: Reconhecer o cancro da mama masculino

Embora o cancro da mama afete maioritariamente mulheres, também pode afetar homens. É raro, mas muitas vezes diagnosticado tardiamente devido à falta de consciência. As empresas devem assegurar que as comunicações e os programas de apoio são inclusivos e fornecem informação adaptada a diferentes grupos de colaboradores

Cinco formas de as empresas apoiarem a prevenção, deteção e gestão do cancro da mama

Oferecer rastreio e diagnóstico

  • Estabelecer parcerias com prestadores para rastreios  
  • Promover programas públicos de rastreio, que variam de país para país, mas que, em geral, abrangem mulheres entre os 50 e os 71 anos. 

Educar e capacitar

  • Disponibilizar webinars e recursos sobre sensibilização para o cancro, sintomas e autoexame. 
  • Formar gestores para conversas empáticas e apoio aos colaboradores durante o tratamento ou enquanto cuidadores. 

Criar políticas de apoio

  • Definir políticas claras para baixas médicas, planos de regresso ao trabalho e ajustes razoáveis. 
  • Reconhecer o impacto emocional nos cuidadores e colegas, criando processos que ofereçam apoio tanto aos colaboradores como aos gestores. 

Utilizar ferramentas digitais de saúde

  • Integrar diagnósticos digitais e consultas virtuais nos pacotes de benefícios. 
  • Oferecer avaliações de risco personalizadas e lembretes mensais para autoexames. 

Tirar partido dos dados e da IA

  • Usar análises preditivas para identificar populações em risco.
  • Monitorizar a eficácia dos programas e ajustar estratégias conforme necessário.

Criar um ambiente de trabalho que apoie quem enfrenta o cancro

Apoiar colaboradores com cancro da mama e outras doenças não é apenas uma obrigação moral; é também uma necessidade estratégica. Ao investir na prevenção, utilizar dados e implementar políticas inclusivas, as empresas podem proteger os seus colaboradores, reduzir custos e reforçar a sua reputação como organizações compassivas e inovadoras.

Referências

  1. BREAST CANCER IN THE EU Return to article
  2. Country Cancer Profiles 2025 | ECIR - European Cancer Inequalities Registry Return to article
  3. 2026 Global Medical Trends Survey 2026 Return to article
  4. Preventing cancer Return to article
  5. Understanding the employee voice Return to article
  6. 2025 Benefits Trends Survey Return to article
  7. Association of European Cancer Leagues - ECL Return to article

Autor


Associate – Health and Benefits

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