O cancro da mama afeta milhões de pessoas em toda a Europa, e o aumento da incidência e dos custos de tratamento representam desafios significativos para as organizações.
Integrar o apoio ao cancro numa estratégia sólida de benefícios para colaboradores, recorrendo a dados e tecnologia de saúde para fundamentar decisões, ajuda as organizações a proteger eficazmente os seus colaboradores e a garantir a sustentabilidade financeira.
Cancro da mama e a sua importância no local de trabalho
O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres na Europa. O Sistema Europeu de Informação sobre Cancro (ECIS) estima que 1 em cada 11 mulheres será diagnosticada ao longo da vida . Embora menos frequente, o cancro da mama em homens também está a aumentar, representando cerca de 1% de todos os casos.
A Associação da Liga Europeia Contra o Cancro (ECL) refere que, todos os anos, cerca de metade das pessoas diagnosticadas com cancro na Europa está em idade ativa. Destas, 62% regressam ao trabalho no primeiro ano após o diagnóstico e 89% até dois anos depois.
Os Perfis Nacionais de Cancro 2025 revelam que a deteção precoce e o acesso aos cuidados variam bastante, influenciando as taxas de sobrevivência e a produtividade no trabalho .
Para as empresas, as implicações são claras:
- Custos crescentes: De acordo com o Global Medical Trends Survey da WTW , o cancro é atualmente a principal causa do aumento dos custos com cuidados de saúde a nível global.
- Impacto no ambiente trabalho: Com o aumento das taxas de sobrevivência, cada vez mais colaboradores continuam a trabalhar durante ou após o tratamento, ou prestam apoio a familiares que enfrentam a doença.
- Riscos de retenção: Sem apoio adequado, as empresas arriscam perder profissionais experientes e enfrentar custos elevados de substituição.
Prevenção: A primeira linha de defesa
A prevenção não é apenas uma questão de saúde, mas também um investimento estratégico para as empresas, integrando-se num programa otimizado de benefícios. Fatores relacionados com o estilo de vida, como o tabagismo, a obesidade e o consumo de álcool, estão entre as principais causas preveníeis de cancro. A OMS estima que entre 30% e 50% dos casos poderiam ser evitados .

Tabaco
O fumo do tabaco contém mais de 7.000 substâncias químicas, das quais 250 são nocivas e 69 cancerígenas. É a principal causa previsível de morte por cancro.

Álcool*
O álcool é uma substância tóxica, psicoativa e classificada como carcinogénico do Grupo 1, estando associado a sete tipos de cancro. A nível global, é responsável por um em cada vinte casos de cancro da mama.

Sedentarismo, dieta e obesidade
O excesso de peso e a obesidade estão ligados a vários tipos de cancro, incluindo esófago, cólon, mama, endométrio e rim. Em 2012, o excesso de massa corporal representou 3,4% dos casos de cancro, incluindo cerca de 110.000 casos anuais de cancro da mama.
* Conforme classificação da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro.
As diferenças socioeconómicas e étnicas podem influenciar as taxas de rastreio, a prevalência da doença e os resultados do tratamento, criando um desafio adicional para as empresas na implementação de estratégias eficazes de apoio aos colaboradores.
As empresas podem desempenhar um papel fundamental ao:
- Promover comportamentos saudáveis, recorrendo a ferramentas como plataformas de bem-estar.
- Educar os colaboradores sobre fatores de risco, programas públicos de rastreio e a importância do autoexame.
- Disponibilizar ferramentas digitais de saúde e programas de rastreio no âmbito dos benefícios para colaboradores, complementando os serviços de saúde públicos.
Para aumentar a eficácia dos programas, as empresas podem adaptar a comunicação e o apoio a diferentes grupos, utilizando dados de saúde internos para identificar populações de maior risco e personalizar as intervenções.
O papel da análise de dados
Apenas 19% das empresas na Europa consideram estar a utilizar dados de forma eficaz para medir custos e definir estratégias . No entanto, os dados são essenciais para compreender os riscos de saúde entre os colaboradores e desenvolver apoios direcionados e eficazes para mitigar esses riscos e controlar os custos.
As empresas podem usar estes insights para otimizar benefícios, reduzir custos e melhorar os resultados de saúde dos colaboradores.
IA, aprendizagem automática e robótica nos cuidados oncológicos
A inteligência artificial (IA) está a transformar os cuidados oncológicos – desde a deteção precoce ao tratamento personalizado. Algoritmos de aprendizagem automática analisam imagens para identificar tumores mais cedo e com maior precisão, enquanto a robótica aumenta a exatidão cirúrgica e contribui para tempos de recuperação mais curtos.
Cada vez mais, apps com análise de imagem baseada em IA ajudam a detetar lesões cutâneas suspeitas, sinalizando possíveis sinais precoces de melanoma para avaliação médica, reduzindo a pressão sobre serviços presenciais já sobrecarregados. Dispositivos portáteis ligados a smartphones, como ecógrafos manuais, permitem rastreios rápidos em zonas remotas ou com poucos recursos. Estas tecnologias tornam possível detetar o cancro mais cedo, melhorar o acesso a especialistas e promover uma monitorização proativa da saúde.
Estas inovações melhoram resultados e, em muitos casos, ajudam a reduzir custos através do diagnóstico precoce. No entanto, novos medicamentos e tratamentos podem ser dispendiosos, aumentando os custos dos benefícios. As empresas devem manter-se informadas e considerar como estas tecnologias impactam a sua estratégia de benefícios, equilibrando custos e expectativas dos colaboradores.
Impacto financeiro: Custos e incidência crescentes
Os custos dos tratamentos oncológicos estão a aumentar devido à inflação médica e aos avanços tecnológicos. A OMS estima que o impacto do cancro na UE ascende a 97 mil milhões de euros por ano. O cancro da mama representa uma parte significativa desse valor, agravado pelo aumento da incidência e da sobrevivência.
As empresas enfrentam:
- Prémios de seguro mais elevados.
- Aumento de absentismo.
- Maior procura por trabalho flexível e serviços de apoio.
Os dados do Global Medical Trends da WTW mostram que o cancro é consistentemente um dos principais fatores de custo, com hábitos pouco saudáveis e falta de prevenção a contribuir para o aumento da sinistralidade.
Apoio inclusivo: Reconhecer o cancro da mama masculino
Embora o cancro da mama afete maioritariamente mulheres, também pode afetar homens. É raro, mas muitas vezes diagnosticado tardiamente devido à falta de consciência. As empresas devem assegurar que as comunicações e os programas de apoio são inclusivos e fornecem informação adaptada a diferentes grupos de colaboradores
Cinco formas de as empresas apoiarem a prevenção, deteção e gestão do cancro da mama

Oferecer rastreio e diagnóstico
- Estabelecer parcerias com prestadores para rastreios
- Promover programas públicos de rastreio, que variam de país para país, mas que, em geral, abrangem mulheres entre os 50 e os 71 anos.

Utilizar ferramentas digitais de saúde
- Integrar diagnósticos digitais e consultas virtuais nos pacotes de benefícios.
- Oferecer avaliações de risco personalizadas e lembretes mensais para autoexames.

Tirar partido dos dados e da IA
- Usar análises preditivas para identificar populações em risco.
- Monitorizar a eficácia dos programas e ajustar estratégias conforme necessário.
Criar um ambiente de trabalho que apoie quem enfrenta o cancro
Apoiar colaboradores com cancro da mama e outras doenças não é apenas uma obrigação moral; é também uma necessidade estratégica. Ao investir na prevenção, utilizar dados e implementar políticas inclusivas, as empresas podem proteger os seus colaboradores, reduzir custos e reforçar a sua reputação como organizações compassivas e inovadoras.